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Terapia Comunitária
Um espaço de inclusão para pessoas desamparadas

Coordenadora Geral: Dirce de Assis Rudge
Voluntários: Janete Guide de Lima, Iraci de Fátima Consolaro, Luciana Vicente, Lívia Lopes de Oliveira, Luci, Karina Nocera. 
 

Histórico  

 A Terapia Comunitária foi criada há 19 anos pelo Prof Adalberto Barreto, da Universidade Federal do Ceará, como uma alternativa para aliviar o sofrimento da população desamparada de uma favela em Fortaleza. Teólogo pela Univ.  Sto Thomaz de Aquino in urbis, Roma e  Universidade Católica de Lyon, França, doutor em antropologia, Universidade de Lyon, doutor em Psiquiatria também na França, partiu de sua impotência frente a tanto sofrimento com a idéia de que o povo tem o sofrimento e também as respostas para esse sofrimento. É preciso mobilizar e autorizar ajudando-o a validar os seus conhecimentos ancestrais indígenas, africanos, orientais e europeus, elementos da cultura local: músicas, ditados populares, orações, que tem a propriedade de atingir diretamente a emoção das pessoas e possibilitar a mudança mais rapidamente. São empregados diversos códigos culturais de acesso à emoção, visando a mudança: o lingüístico, o auditivo, o sagrado, o lúdico.
A troca de experiências entre os participantes é encorajada, trazendo  à tona competências variadas e soluções criativas para as situações que trazem sofrimento no dia a dia e que o sistema público não dá conta.
A inovação em seu método é a inclusão e validação do saber popular sem invalidar ou desmerecer o saber acadêmico, trazendo para a terapia o arsenal de variados códigos culturais que não são acessados na terapia tradicional.
O foco de atuação é a auto-estima e o reforço de habilidades e competências numa conversa mobilizadora onde o terapeuta é um facilitador das trocas entre os pacientes, que foca o que cada um tem, não o que falta. A competência e auto-estima são trazidos à tona pela técnica e regras empregadas. A idéia é reforçar o que é bom, a parte saudável de cada um, para que cresça, lembrando que cada um tem o problema e a solução em si mesmos. As perguntas são utilizadas para esclarecer e mobilizar. O terapeuta não é o cuidador que tem todas as respostas - todos são cuidadores no   processo que facilita a inclusão e a solidariedade.
A técnica é simples e pode ser utilizada por pessoas treinadas sem formação acadêmica, sendo então uma maneira de se popularizar e disseminar esse novo modo de conversação, formando multiplicadores. Outra característica é a facilidade de uso em variados tipos de locais: ambulatórios, salas de espera, praças, casas, igrejas, salões e a possibilidade de incluir no mesmo processo um número variado de pessoas, de muito poucas até algumas centenas, de variados níveis sócio-culturais, idades diferentes, ambos os sexos. Temos conhecimento de terapias realizadas com sucesso em grupos de 400 indivíduos e outros de 2 ou 3. Tem sido criados grupos específicos : de jovens, de patologias específicas: dependentes químicos, portadores do HIV e de  idosos, porém funciona muito bem em grupos mistos.

A terapia comunitária tem a capacidade de mobilizar o sistema familiar e social gerando um movimento rumo à independência e autonomia individual, onde o comportamento intoxicado não cabe mais.

1. A terapia comunitária apresenta uma mudança de paradigma na maneira de lidar com o sofrimento – o saber popular é associado ao saber científico em benefício do paciente. Músicas, ditados populares, chás, ungüentos, orações, técnicas curativas dos nossos caboclos, são respeitados, ajudando o paciente a valorizar a sua cultura e acreditar em si mesmo.
2. O emprego da terapia comunitária em três grupos distintos: um grupo geral, um grupo voltado para alcoolistas, drogaditos e familiares e outro de crianças, oferecendo à mesma população uma ampla cobertura, com o amparo simultâneo da família e dos indivíduos desde a infância, focando um problema – dependência química – que aflige e é causa de enorme sofrimento nas famílias e de graves distúrbios e perdas sociais.
3. Terapia Comunitária com crianças – objetivando fazê-las crescer com outra perspectiva de vida, tratando de suas emoções desencontradas em relação à desestruturação familiar, violência e abandono, ocasionados pelo alcoolismo, drogadição e a conseqüente exclusão social. 

A Terapia Comunitária contempla os seguintes benefícios:

 1. Trata-se de técnica eficiente para alívio do sofrimento no curto prazo. 
 2. Reforça a identidade pessoal e comunitária. 
 3. Melhora rapidamente a auto-estima, facilitando a retomada do controle da vida. 
 4. Facilita a formação de redes sociais. 
 5. Pode ser aplicada por agentes treinados, sem necessidade de formação acadêmica. 
 6. É passível de associação com outras técnicas de tratamento. 
 7. Pode acolher um grande número de pessoas ao mesmo tempo. 
 8. É o modo mais eficiente que conheço para lidar com alcoolismo, drogadição e codependência.
 9. É atraente por usar música e técnicas de relaxamento. 
 10. Tem custo reduzido, por dispensar aparatos, podendo ser realizada em qualquer espaço, desde residências, igrejas, associações as mais diversas e até em praças públicas. 

COMO FUNCIONA 

A terapia comunitária é um tratamento em grupo, realizado em sessões semanais, com duração de 90 a 120 minutos. Coordenado por um terapeuta e um co-terapeuta.
É dividida em seis fases:

 1. Acolhimento
 2. Escolha do tema
 3. Contextualização
 4. Problematização
 5. Rituais de agregação e conotação positiva
 6. Encerramento 

Sentados em uma roda, ou mais de uma, concêntricas, quando o número de pessoas é muito grande, o co-terapeuta dá as boas-vindas, apresenta a terapia aos participantes, explica as suas fases e pergunta pelos aniversariantes, que são homenageados com música pertinente. Lembra as regras: silêncio, não criticar, não julgar, não dar conselho, falar na primeira pessoa, cantar uma canção, declamar um poema, fazer uma oração, lembrar um ditado popular, relacionado com o que está sendo dito.
Em seguida, propõe uma atividade lúdica, após a qual, todos se sentam e a palavra é passada para o coordenador da sessão.
Nessa fase as pessoas são encorajadas a falar brevemente de seus problemas e atribulações com frases do tipo: quando a boca fala o corpo sara, e são levantados os problemas – de 3 a 5, dependendo do número de participantes. Em seguida, o grupo irá escolher, por votação democrática, qual dos assuntos trazidos quer aprofundar. Escolhido o tema, o protagonista terá 10 minutos para discorrer sobre o seu problema e, em seguida, todos poderão participar, fazendo perguntas para entender o seu sofrimento.
Depois de cerca de 20 minutos, o coordenador encerra essa fase e traduz o assunto trazido num mote que é colocado para o grupo: quem já passou por algo semelhante e o que fez para resolver? A partir das colocações e das respostas, o coordenador irá focar na competência das pessoas: como a sra. fez pra sair desse problema? Onde arrumou forças para enfrentar tal questão? Com quem aprendeu a agir com tanta sabedoria?
Após essa fase o grupo fica em pé, formando uma roda num ritual de agregação, que pode conter uma música, uma poesia ou o que for sugerido por um dos presentes, e todos são instados a falar o que vão levar para casa dessa reunião. Ao final, canta-se uma música popular ou hino de igreja, sugeridos por um dos participantes e encerra-se a sessão.

Adaptação da técnica para crianças em idade escolar 

Sessões semanais de 60 a 90 min de duração, seguidas de expressão artística.
A técnica é a mesma, com as crianças sentando-se em círculo no chão e lembrando as regras. Em seguida, faz-se uma brincadeira, sugerida por elas mesmas e, depois, sentadas, elas são encorajadas a falar de seus problemas, das coisas que as incomodam. Em algumas sessões trago pronta uma sugestão: vamos falar de medo. Eu tenho medo do quê? Ou: hoje vamos falar da raiva: eu tenho raiva do quê? Eu fico chateado com o quê?

Procuro sempre fazer circular as perguntas, de maneira a dar possibilidade de todos se expressarem. Da mesma maneira que com os adultos, procuro fazê-los expressarem as suas competências para lidar com as situações trazidas, criando um ambiente de cooperação e troca. Os rituais são os mesmos que fazemos para os adultos, um pouco mais rápidos e, ao final, encerramos sempre perguntando o que eu aprendi hoje? Após o encerramento dessa parte, passamos para a expressão artística, com desenhos, colagens ou trabalhos com argila ou massa.

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