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O Beber com maior risco de problemas - adultos
Beber na forma de “binge” como um problema
Beber consumindo um volume excessivo de álcool num curto espaço de tempo, é uma prática conhecida na literatura internacional como “binge drinking”, ou beber em “binge”. O termo é empregado no mundo todo para definir o “uso pesado episódico do álcool”. Esse é um tipo de beber mais perigoso e frequentemente associado a uma série de problemas, físicos, sociais e mentais (Naimi e cols, 2003). Isso ocorre devido ao fato que durante o episódio desse tipo de beber ocorrerem importantes modificações neurofisiológicas (desinibição comportamental, comprometimento cognitivo, diminuição da atenção, piora da capacidade de julgamento, diminuição da coordenação motora, etc)
A quantidade que define o beber em “binge” foi estabelecida por inúmeros estudos, em cinco doses para homens e quatro doses para mulheres, em uma só ocasião (Brewer e col – 2005). Beber nessas quantidades, ou acima delas, pode levar a intoxicações freqüentemente associadas a uma grande série de problemas. Os efeitos do beber em “binge” podem ser agravados de acordo com o peso da pessoa, a idade, a rapidez com que consome, o fato de ter se alimentado ou não, e, naturalmente, o número de doses que consumiu. Fatores sociais e psíquicos podem contribuir para esse agravamento, como o desemprego, a falta de perspectiva – especialmente entre os mais jovens – e conflitos familiares e de relacionamento. Em quase todos os países onde esse fenômeno foi estudado, o beber em “binge”, mesmo que esporádico, causa maiores custos sociais e de saúde do que o uso contínuo e dependente (Makela e cols, 2001; Miller e cols, 2005).
Dois tipos de problemas, acidentes e violência, merecem destaque em relação ao “binge” (Brewer e cols, 2005). Dentre os acidentes merecem destaques os acidentes de carro, quedas, atropelamentos, afogamentos. Vários tipos de violência estão relacionados ao “binge”, como homicídios, roubo, violência doméstica, agressões físicas, violência sexual, etc.
Este capítulo descreve a quantidade e a freqüência com que adultos brasileiros bebem em “binge”, ou bebem de forma a se intoxicarem, num curto espaço de tempo. Pela primeira vez, um estudo nacional identifica e classifica esse tipo de consumo de álcool e trará informações importantes de como esse tipo de beber associa-se com várias formas de problemas. Mostraremos também informações sobre os problemas associados ao beber e os índices de abuso e dependência.
O beber em “binge” entre os adultos
Do total da população adulta brasileira, 28% já bebeu em “binge” pelo menos uma vez no último ano. Levando em conta uma população de 120 milhões com 18 anos e acima, tem-se que 33,6 milhões de adultos já beberam de forma abusiva pelo menos em uma ocasião. Aqueles que consomem bebida alcoólica mas não beberam em “binge” são 24%. O grupo que não bebeu nada no último ano soma 48%. Os homens são os que mais bebem em “binge”, 40% da população masculina, contra 18% entre as mulheres. O Gráfico 5.1 mostra essas diferenças, que são estatisticamente significantes.
Figura 5.1 – Bebeu em “Binge” Adultos – Diferença entre os sexos (n=2346)

Pergunta:
Durante os últimos 12 meses com que freqüência você bebeu (se homem 5 ou mais
doses, mulher 4 ou mais doses) De qualquer bebida alcoólica em uma única ocasião
Freqüência: de Todos os dias a nunca
“ Binge” e a idade
Figura 5.2 – Beber em “binge” Adultos – variação com a idade (n=2346)

O beber em grandes quantidades é um fenômeno que diminui com a idade. Enquanto 40% dos jovens de 18 a 24 já beberam em “binge”, esse número cai para 20% entre aqueles com 45 e 59 anos, e desce para 10% entre os mais velhos. Existe uma relação inversão entre as taxas de abstinência e as taxas de “binge”, ou seja a abstinência aumenta com a idade e o “binge” diminui com a idade. Esse fenômeno é importante do ponto de vista de políticas, pois a população mais jovem é a mais vulnerável a apresentar maiores problemas com o álcool.
Variações regionais no padrão “binge”
Figura 5.3 – Beber em “binge” Adultos – Regiões (n=2346)

Existem variações regionais significantes. No Sul, 36% da população masculina bebeu em “binge”. No Norte, esse número cai para 21%, e está associado a uma taxa de abstinência de mais de 50%. A figura 5.3 mostra que tanto o beber em “binge” quanto as taxas de abstinência variam marcadamente por região. Esses números mostram que as culturas regionais influenciam o beber. Esse fato pode nos ajudar no planejamento de futuras intervenções.
O tipo de bebida mais freqüentemente associada ao “binge”
Gráfico 5.4 – Tipo de bebida e “binge” Adultos (n= 2346)

A cerveja é a bebida mais consumida entre os que bebem grandes quantidades. De todas as doses consumidas por aqueles que beberam em “binge” no último ano, 73% foram de cerveja. Os destilados vêm em segundo lugar, com 13%, e o vinho, com 12%. As bebidas ice representam somente 1%. A bebida nacional do uso nocivo é a cerveja, responsável pela grande maioria do beber de maior risco.
Tabela 5.1 – Bebidas consumidas em “binge” por faixa etária, regiões e classe social (n=2346)
| Tipo de Bebida | Total | Faixa Etária | Regiões | Classe Social | ||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
18/24 |
25/34 |
35/44 |
45/59 |
60/+ |
NO |
CO |
NE |
SE |
SUL |
A |
B |
C |
D |
E |
||
| Vinho | 12% |
16% |
13% |
08% |
07% |
25% |
09% |
11% |
11% |
14% |
12% |
29% |
11% |
10% |
15% |
11% |
| Cerveja | 73% |
71% |
75% |
77% |
74% |
59% |
63% |
80% |
68% |
75% |
82% |
69% |
79% |
80% |
69% |
55% |
| Bebidas Ice | 01% |
03% |
01% |
01% |
01% |
00% |
01% |
00% |
00% |
02% |
01% |
00% |
03% |
02% |
01% |
01% |
| Destilados | 13% |
10% |
12% |
14% |
18% |
15% |
27% |
09% |
20% |
09% |
06% |
02% |
09% |
09% |
16% |
33% |
A freqüência do beber em “binge”
A freqüência do beber em “binge” está relacionada ao aumento dos riscos de acidentes e de dependência, e ao agravamento de doenças. Avaliamos para aqueles que tinham bebido em “binge” no último ano (n=609) a freqüência que esse comportamento ocorreu. Vale a pena salientar que mais da metade dos bebedores que bebem na forma de “binge” o fazem mais de uma vez por mês. Portanto esse tipo de comportamento é o beber mais comum para um número significativo de pessoas. Para mais de 20% desses bebedores a freqüência é maior do que semanal.
Gráfico 5.5 – Freqüência de “Binge” – último ano – diferença entre sexos (n=609)

As diferenças entre sexo não são estatisticamente
significantes. Isso quer dizer que não temos evidências
suficientes para dizer que a distribuição de freqüência do
beber em binge seja diferente entre homens e mulheres
Tabela 5.2 – Freqüência do beber em “binge", faixa etária, regiões e classe social (n=2346)
| Freqüência do Binge | Total | Faixa Etária | Regiões | Classe Social | ||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
18/24 |
25/34 |
35/44 |
45/59 |
60/+ |
NO |
CO |
NE |
SE |
SUL |
A |
B |
C |
D |
E |
||
| Menos de uma vez por mês | 48 |
49 |
54 |
41 |
48 |
39 |
19 |
35 |
54 |
49 |
42 |
86 |
50 |
46 |
47 |
49 |
| Uma vez por mês | 15 |
18 |
13 |
14 |
17 |
13 |
36 |
11 |
10 |
17 |
15 |
02 |
11 |
16 |
17 |
19 |
| 2 a 3 vezes por mês | 08 |
07 |
08 |
10 |
06 |
17 |
17 |
17 |
06 |
06 |
11 |
04 |
05 |
08 |
12 |
05 |
| Uma vez por semana ou mais | 22 |
22 |
17 |
28 |
22 |
22 |
25 |
25 |
26 |
18 |
22 |
07 |
27 |
23 |
20 |
18 |
| Não sei | 07 |
04 |
08 |
07 |
07 |
09 |
03 |
12 |
04 |
10 |
10 |
01 |
07 |
07 |
04 |
09 |
| Base | 609 |
143 |
202 |
131 |
99 |
34 |
34 |
50 |
187 |
242 |
96 |
15 |
92 |
224 |
217 |
61 |
A tabela 5.2 mostra a freqüência do beber em “binge” em termos
da faixa etária, regiões e classe social.
Devido a baixa freqüência
em algumas categorias não foi possível realizar análises estatísticas.
O local onde os adultos bebem mais
Os locais onde as pessoas estavam quando mais doses beberam, nos últimos 12 meses, podem contribuir para a adoção de medidas que reduzam os riscos para o bebedor e para aqueles que estão próximos. Beber muito no bar ou em festas, por exemplo, pode significar um dirigir embriagado no retorno para casa ou alguma forma de violência.
Do conjunto de adultos que beberam em “binge” nos últimos 12 meses, 27% beberam no bar ou na balada. Os jovens beberam mais quando estavam no bar e na balada, enquanto os mais idosos estavam em casa. Os do Sul bebem menos no bar ou balada (13%) e mais em festas, 35%. A casa foi o segundo local mais utilizado pelas pessoas na vez que mais beberam nos últimos 12 meses. Na média, 23%, ou quase um quarto daqueles que beberam em “binge” no último ano, tomaram sua maior bebedeira na própria casa. Várias situações que foram perguntadas receberam um número pequeno de respostas, o que dificulta uma análise estatística mais detalhada, especialmente em relação à classe social, que optou-se não mostrar na tabela 5.3.
Tabela 5.3 - Local onde mais bebeu – Adultos (Sexo – Idade – Região) n=609
| Local | Total | Sexo | Idade | Região | ||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
M |
F |
18/24 |
25/34 |
35/44 |
45/59 |
NO |
CO |
NE |
SE |
SUL |
||
| Bar/Restaurante próximo à Escola | 05% |
06% |
03% |
04% |
03% |
10% |
08% |
07% |
07% |
08% |
03% |
08% |
| Bar/Balada | 27% |
28% |
23% |
38% |
26% |
21% |
11% |
37% |
18% |
34% |
27% |
13% |
| Casa de amigo | 11% |
13% |
09% |
16% |
10% |
11% |
06% |
05% |
27% |
12% |
11% |
08% |
| Casa de parentes | 09% |
08% |
11% |
07% |
11% |
08% |
11% |
07% |
06% |
09% |
13% |
04% |
| Evento esportivo | 01% |
01% |
00% |
01% |
02% |
01% |
03% |
00% |
00% |
00% |
01% |
01% |
| Festa | 17% |
16% |
19% |
19% |
20% |
16% |
12% |
14% |
07% |
14% |
12% |
35% |
| Restaurante | 02% |
01% |
04% |
01% |
02% |
05% |
01% |
06% |
00% |
02% |
01% |
03% |
| Sua casa | 23% |
22% |
24% |
13% |
22% |
25% |
38% |
22% |
29% |
18% |
24% |
26% |
| Outro | 05% |
05% |
07% |
01% |
04% |
03% |
10% |
02% |
06% |
03% |
08% |
02% |
Há diferença significativa no local onde bebeu por idade e região, mas não por sexo. Essa tabela representa o local onde se bebeu a maior dose, só para as pessoas que beberam em “binge”.
Das questões pontuais citadas no texto:
Os jovens bebem mais em bares/baladas do que os mais velhos – estatisticamente significante
Os mais velhos bebem mais em casa – Significante
O sul bebe menos em balada – Significante
O sul bebe mais em festa – Significante
Problemas com o beber na população adulta
Tabela 5.4 – Problemas com o beber - População total (n=2346)
| Freqüência do Binge | Total | Sexo | Faixa Etária | Regiões | Classe Social | |||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
M |
F |
18/24 |
25/34 |
35/44 |
45/59 |
60/+ |
NO |
CO |
NE |
SE |
SUL |
A |
B |
C |
D |
E |
||
Abstinente |
48 |
35 |
59 |
38 |
42 |
44 |
54 |
68 |
54 |
47 |
50 |
50 |
35 |
42 |
35 |
42 |
56 |
59 |
Bebe e não teve problema |
29 |
27 |
30 |
29 |
31 |
33 |
28 |
21 |
24 |
23 |
26 |
28 |
42 |
41 |
38 |
31 |
26 |
15 |
Bebe e teve problema |
23 |
37 |
11 |
33 |
27 |
23 |
18 |
11 |
23 |
30 |
24 |
22 |
23 |
16 |
27 |
27 |
18 |
26 |
| Base | 2346 |
950 |
1396 |
368 |
588 |
488 |
501 |
401 |
147 |
191 |
682 |
1005 |
321 |
47 |
287 |
765 |
991 |
256 |
Perguntou-se a todos os adultos se tiveram problemas decorrentes do álcool nos últimos 12 meses (n=2346).
No geral, 29% da população disse que bebeu e não teve problema. Outros 23% disseram que beberam e tiveram problemas.
O restante, 48%, nunca bebe ou não bebeu no último ano. Considerando uma população adulta de 120 milhões, a pesquisa revela que 27,6 milhões, têm ou já podem ter tido algum problema relacionado ao uso do álcool. Mais uma vez os homens apresentam maiores taxas de problemas do que as mulheres, a população mais jovem também apresenta mais problemas do que os mais velhos.
Tabela 5.5 – Problemas com o álcool - População de bebedores (n=1152)
| Problemas | Total | Sexo | Faixa Etária | Regiões | Classe Social | |||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
M |
F |
18/24 |
25/34 |
35/44 |
45/59 |
60/+ |
NO |
CO |
NE |
SE |
SUL |
A |
B |
C |
D |
E |
||
| Bebe e não teve problemas | 55 |
42 |
74 |
47 |
53 |
59 |
60 |
65 |
51 |
43 |
52 |
56 |
65 |
72 |
58 |
53 |
58 |
36 |
| Bebe e teve problemas | 45 |
58 |
26 |
53 |
47 |
41 |
40 |
35 |
49 |
57 |
48 |
44 |
35 |
28 |
42 |
47 |
42 |
64 |
| Base | 1152 |
599 |
553 |
225 |
335 |
260 |
219 |
113 |
70 |
96 |
313 |
478 |
195 |
30 |
183 |
424 |
420 |
95 |
A tabela 5.5 mostra os resultados apenas com a população de adultos que bebe, ou seja, 52% da população (n=1152). Nesse grupo, 55% disseram não ter ou não ter tido problemas relacionados ao álcool. Os outros 45% disseram que têm ou tiveram pelo menos um problema. A porcentagem daqueles com pelo menos um problema é maior entre os homens - 58%, contra 26% das mulheres.
Os bebedores com problemas diminuem com a idade, passando de 53% na faixa dos 18 a 24 anos, para 35% no grupo com mais de 60 anos. Um número maior de moradores do Centro Oeste, informou ter tido pelo menos um problema (57%), contra 35% dos habitantes do Sul. As diferenças regionais não foram significantes do ponto de vista estatístico.
Esses dados são importantes. Mostram que o consumo do álcool é mais freqüentemente associado com problemas do que poderíamos pensar numa análise superficial do fenômeno. Quase a metade dos que bebem referem algum tipo de problema relacionado ao consumo do álcool no último ano.
Os problemas mais citados
A partir de várias questões, a pesquisa montou um quadro dos diferentes problemas decorrentes do uso do álcool. O grupo base aqui são as
pessoas que disseram ter ou ter tido algum problema por conta da bebida no último ano. O entrevistado podia citar um ou mais problemas.
Tabelas 5.6 - Prevalência de problemas decorrentes do uso de álcool
Adultos
|
Teve problemas |
Teve problemas |
Teve problemas |
Teve problemas |
Teve problemas |
Teve problema |
|
Total |
Total |
17% |
8% |
18% |
38% |
2% |
17% |
Sexo |
Masc |
23% |
13% |
26% |
51% |
4% |
23% |
|
Fem |
8% |
2% |
6% |
21% |
0% |
9% |
Idade |
18 a 24 |
18% |
8% |
15% |
42% |
3% |
23% |
|
25 a 34 |
17% |
11% |
19% |
40% |
3% |
18% |
|
35 a 44 |
16% |
7% |
16% |
36% |
1% |
13% |
|
45 a 59 |
16% |
6% |
21% |
36% |
3% |
16% |
|
60 ou mais |
15% |
10% |
19% |
29% |
2% |
9% |
Região |
NO |
21% |
12% |
19% |
43% |
4% |
13% |
|
CO |
20% |
8% |
14% |
49% |
1% |
18% |
|
NE |
14% |
9% |
17% |
41% |
2% |
16% |
|
SE |
17% |
8% |
17% |
37% |
3% |
17% |
|
SUL |
15% |
7% |
21% |
30% |
1% |
20% |
Problemas |
CLASSES SOCIAIS |
|||||
A |
B |
C |
D |
E |
||
Teve problemas Sociais |
1% |
11% |
17% |
19% |
26% |
|
Teve problemas no Trabalho |
0% |
6% |
7% |
9% |
23% |
|
Teve problemas Familiares |
7% |
13% |
19% |
17% |
31% |
|
Teve problemas Físicos |
20% |
38% |
38% |
36% |
55% |
|
Teve problemas Legais |
0% |
3% |
1% |
3% |
5% |
|
Teve problema com a violencia |
9% |
14% |
20% |
15% |
23% |
|
A incidência de todos os tipos de problemas é significativamente diferente entre homens e mulheres.
Apenas os problemas com violência tem incidência significativamente diferente nas faixas etárias.
Apenas “problemas legais” apresentaram diferenças significantes por região.
Em relação às classes sociais as diferenças foram significantes para todos os problemas, exceto para a violência.
Os problemas físicos aparecem como os mais citados por todos os segmentos. Do total dos entrevistados, 38% disseram ter problemas físicos decorrentes do álcool. Esse tipo de problema é mais citado pelos homens (51%) e pelos moradores das regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste, entre 41% e 49%.
Os problemas familiares vêm em segundo lugar, citado por 18% dos entrevistados. Os grupos com mais problemas na família decorrentes do uso do álcool são os homens em geral (26%), as pessoas entre 45 e 59 anos, ou mais (21%) e os moradores do Sul, 21%.
Os problemas sociais e os problemas com violência vêm em seguida nos vários segmentos. Os homens e os moradores das regiões Norte e Centro-Oeste são os que mais citaram os problemas sociais, ao redor de 21%.
Entre os problemas com violência, temos 23% entre a população mais jovem, de 18 a 24 anos e é de 23% entre os homens. Os homens acima de 60 anos são os que menos citam a violência, são 9%.
Os problemas assinalados
Os cinco grupos de problemas citados acima – sociais, no trabalho, familiares, físicos, legais e relacionados com a violência – foram agrupados a partir de um leque de dificuldades referidas pelos entrevistados em função de perguntas específicas. Em cada um dos cinco problemas, há uma dificuldade que foi referida por um número maior de pessoas:
Entre os problemas sociais:
15% assinalaram que continuou bebendo após ter prometido a ele próprio que pararia
Entre os problemas de trabalho:
8% relataram que as pessoas no trabalho disseram que deveria beber menos
Entre os problemas familiares:
25% disseram que o companheiro ou pessoa com quem morou ficou irritado com sua bebedeira ou com seu comportamento enquanto bebia. Outros 12% disseram ter iniciado discussão ou briga com parceiro quando bebia
Entre os problemas físicos:
23% assinalaram que deixaram de fazer diversas refeições enquanto bebia e que por isso ficou alcoolizado por vários dias seguidos
Entre os problemas legais:
2% citaram uma advertência policial por causa da bebedeira
Entre os problemas relacionados com a violência:
15% citaram uma discussão exaltada enquanto bebia, e 10% iniciou uma briga com alguém fora da família quando estava bebendo
Uso nocivo e dependência entre os adultos
Do total da população com 18 anos ou mais, 3% disseram ter problemas de uso nocivo, e 9% de dependência. Essa prevalência é compatível com estudos anteriores brasileiros que utilizaram metodologias diferentes. Isso torna o dado de que 12% da população brasileira tem algum problema do álcool um bom índice em termos de saúde pública para possamos dimensionar o custo social do álcool. Tanto o uso nocivo quanto a dependência predominam entre os homens, sendo em média 4 vezes mais comum. Portanto ainda não notamos na população geral adulta brasileira um fenômeno que já ocorre nos países desenvolvidos de uma maior aproximação do número de mulheres em relação aos homens com problemas com álcool.
Tabela 5.7 – Adultos: Uso Nocivo e Dependência do Álcool (n=2346)
| Adultos | Total | Sexo | Idade | Região | Classe Social | |||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
M |
F |
18/24 |
25/34 |
35/44 |
45/59 |
60/+ |
NO |
CO |
NE |
SE |
SUL |
A |
R |
C |
D |
E |
||
| Sem uso noc/dep | 88% |
81% |
95% |
81% |
88% |
89% |
91% |
96% |
82% |
88% |
88% |
89% |
90% |
95% |
90% |
88% |
90% |
82% |
| Uso Nocivo | 03% |
05% |
01% |
04% |
03% |
04% |
02% |
01% |
06% |
03% |
03% |
03% |
02% |
01% |
04% |
03% |
02% |
05% |
| Dependência | 09% |
14% |
04% |
15% |
09% |
07% |
07% |
03% |
12% |
09% |
09% |
08% |
08% |
04% |
06% |
09% |
08% |
13% |
Referências
Naimi T e cols. (2003) Binge Drinking Among US adults, Journal of the American Medical Association, January 1, 289 (1): 70-77
Brewer R. e cols, (2005) Binge Drinking and Violence. Journal of the American Medical Association, August 3, 294 (5): 616-619
Makela P e cols. (2001) Episodic heavy drinking in four Nordic countries: a comparative survey. Addiction, 96: 1575-1588
Miller P e cols (2005) Spreading out or concentrating weekly consumption: alcohol problems and other consequences within a
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