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Familiares de Dependentes Químicos
Parte 6
SESSÃO DE TERAPIA COMUNITÁRIA
Grupo aberto, acolhendo todo tipo de paciente, as crianças ficam ao lado com brinquedos de montar ou lápis de cor e papel. Pedimos aos pais que tragam as crianças porque elas vivenciam a descontrução familiar com a doença e do nosso ponto de vista precisam vivenciar a reconstrução familiar e saber que a sua família tem jeito. Precisamos devolver esperança a essas crianças.
Não há limite de número de participantes. Já estivemos em sessões com mais de 100 pessoas e com apenas três, funcionam muito bem nos dois casos.Recentemente uma professora de São Paulo fez uma sessão para 400 homens de uma corporação e pela sua informação, foi muito produtiva. Na verdade, desde que iniciamos a técnica da TC raramente as sessões tem menos de 10 participantes, mesmo nos dias chuvosos e muito frios.
Inicia-se com o coterapeuta falando sobre a técnica e pedindo aos presentes que ajudem a lembrar as suas regras. Verifica-se se há algum aniversariante e canta-se para ele.
A seguir faz-se uma dinâmica lúdica de aquecimento.
O terapeuta inicia a sessão pedindo aos presentes que falem sobre os seus sofrimentos, as coisas que estão incomodando. Nessa fase, apenas citar os problemas, que serão anotados. A seguir, os presentes irão eleger qual das histórias querem aprofundar e a que for mais votada será protagonista. Tira-se um mote que irá ajudar na orientação.
Nessa fase o protagonista irá falar por alguns minutos do seu sofrimento e em seguida todos poderão fazer perguntas para compreender o sofrimento dele. Depois de 15 a 20 minutos, o terapeuta passará para a próxima fase, em que pergunta aos presentes quem já viveu algo parecido e como lidou com isso.
Durante todo o processo o terapeuta irá focar as perguntas nas competências, valorizando o saber popular, o seu conhecimento e vivências pessoais.
Durante todo o processo os presentes podem cantar alguma música, dizer um ditado popular ou uma poesia ou oração, que tenha a ver com o que está sendo dito. Por exemplo, se a pessoa diz que muitos em sua família bebem, alguém pode começar a cantar "no meu telhado tem goteira, pinga ni mim, pinga ni mim..." Quando alguém começa a chorar o grupo se dá as mãos e faz uma corrente, cantando uma música de consolo do tipo: "encosta tua cabecinha no meu ombro e chora..." até que a pessoa esteja em condições de continuar falando. Se alguém conta que briga muito com o marido "entre tapas e beijos..."
Ao final faz-se um ritual de agregação com uma roda que se balança suavemente, canta-se uma música sugerida por um membro do grupo e todos são instados a dizer o que vão levar para casa. Finalizamos com uma música engraçada onde todos são levados a se abraçarem.
No meio da sessão costuma-se servir algo para beber e comer e é recomendável que a sala tenha boa iluminação e esteja perfumada. A intenção é mobilizar vários sentidos ao mesmo tempo, porque estamos tratando de emoção.
Essa técnica melhora rapidamente a auto-estima, estimula a formação de vínculos entre os usuários e a formação de uma rede solidária.
TERAPIA COGNITIVO COMPORTAMENTAL
É muito utilizada em dependência química e funciona muito bem para os familiares, segundo Johnson, a esposa fica igualzinha ao dependente, um torna-se o espelho do outro. Entender a própria disfunção e mudar o comportamento é altamente desejável tanto para o dependente quanto para os familiares.
Referências bibliográficas
Toda literatura de Alcoólicos Anônimos e Al-Anon, encontráveis somente nos grupos.Alcoolismo, O Que Você Precisa Saber, Donald Lazo, Ed. Paulinas
O Índio que Vive em Mim, Adalberto Barreto
Children Of Chemically Dependent Parents, Thomaz Rivinus, Bruner e Maazel, NY
A Conquista de Um Caminho, Maria Braga, Ed Nativa
Quero Meu filho de Volta, Carlos Barcelos
Codependência Nunca Mais, Melodie Beatie
Mulheres que Amam Demais, Robin Norwood
O Tratamento do Alcoolismo, Griffit Edwards
Alcoolismo Hoje, Sergio de Paula Ramos
Terapia Comunitária e Alcoolismo – Manual Prático, Eduardo Rudge, Dirce de Assis
Abuso de Álcool e Drogas, Marc Shuckit
Alcoolismo, Gitlow & Peyser
The Forgothen Children, Margareth Cork