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NIDA InfoFacts:
“Entendendo o Abuso de Drogas e a Drogadição” – (Versão revisada 1/09)
Traduzido por Dr. Eduardo Rudge – Agradecemos aos editores do NIDA pela permissão de se publicar este artigo traduzido do editorial NIDA InfoFacts: Understanding Drug Abuse and Addiction
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Muita gente não compreende por que algumas pessoas se tornam aditas a drogas e não sabe como as drogas agem no cérebro provocando a compulsão para o seu uso.
Vem daí a crença de que o abuso de drogas e a drogadição sejam estritamente problemas sociais, às vezes mesmo caracterizando os dependentes químicos como pessoas de moral rebaixada. Outra crença comum é a de que os dependentes químicos poderiam livrar-se dessa condição apenas com a disposição de mudar esse seu comportamento.
Essa gente não se dá conta da complexidade da drogadição e que esta é uma doença que afeta seriamente o cérebro. Por essa razão, parar com o abuso de drogas não depende simplesmente da força de vontade do adito. Graças aos avanços científicos, hoje sabemos com boa margem de segurança, a forma pela qual as drogas agem no cérebro e também que a drogadição pode ser tratada com sucesso, proporcionando ao dependente o retorno a uma vida produtiva.
O abuso de drogas e a drogadição constituem uma pesada carga para a sociedade. Segundo alguns cálculos, o custo total do abuso de substâncias, nos Estados Unidos, incluindo os custos relacionados à saúde e ao crime, bem como a perda da produtividade, excede a meio bilhão de dólares anuais. Esta cifra inclui aproximadamente $181 mil milhões por drogas ilícitas, $168 mil milhões por tabaco e 185 mil milhões por álcool. A pesar de quão assustadoras sejam essas cifras, elas não chegam a retratar cabalmente o verdadeiro impacto do abuso de drogas e da drogadição sobre a saúde pública, no que concerne à desintegração da família, à perda do emprego, ao fracasso na Escola, à violência doméstica, ao abuso infantil e outros crimes.
O que é a drogadição?
A drogadição é uma doença crônica do cérebro, frequentemente sujeita a recaídas, caracterizada pela busca e uso compulsivo de drogas, apesar das consequências nocivas para o adito e para aqueles que o rodeiam. A drogadição é considerada uma doença do cérebro porque o abuso de drogas produz modificações tanto na estrutura como no funcionamento do cérebro. Se bem que na maioria dos casos a decisão inicial do uso de drogas seja voluntária, com o tempo as modificações do cérebro, ocasionadas pelo uso repetido das drogas, podem afetar o autocontrole e a habilidade do usuário em tomar decisões sensatas, ao mesmo tempo em que surgem impulsos intensos para o uso de drogas.
Como resultado das modificações cerebrais, torna-se muito difícil para o drogadito parar com o abuso de drogas. Afortunadamente existem tratamentos que ajudam na oposição aos efeitos poderosamente destrutivos da adição, tendo potencialidade para proporcionar a recuperação do controle ao adito. As pesquisas demonstram que para a maioria dos pacientes o melhor método para se assegurar o êxito é a combinação de medicamentos para tratamento de adição – quando os há – com a terapia comportamental. Pode-se lograr uma recuperação sustentada e uma vida sem abuso de drogas usando enfoques delineados especificamente segundo o padrão de abuso de cada paciente, conjuntamente a qualquer problema clínico, psiquiátrico ou social concorrente.
A drogadição pode ser tratada com êxito, da mesma forma como muitas outras doenças crônicas com recaídas, como o diabetes, asma ou as doenças do coração. Também de modo parecido com essas enfermidades crônicas, é comum que ajam recaídas, voltando o drogadito a usar drogas novamente. Essas recaídas, entretanto, não significam um fracasso, melhor que constituam um sinal para o delineamento de novas estratégias para reajustar o tratamento ou de que seja necessário um tratamento alternativo para que a pessoa restabeleça o seu controle podendo recuperar-se.
O que se passa no cérebro quando se usam drogas?
As drogas são substâncias químicas que se infiltram no sistema de comunicação do cérebro interrompendo o envio, a recepção e o processamento normal da informação entre as células nervosas. Há pelo menos duas maneiras pelas quais as drogas podem ocasionar esses transtornos: 1) simulando os mensageiros químicos naturais do cérebro, ou 2) super-estimulando o “Circuito de Recompensa” do cérebro.
Algumas drogas, como a maconha e a heroína, têm a sua estrutura semelhante a de certos mensageiros químicos chamados neurotransmissores, produzidos pelo cérebro de maneira natural. Por conta dessa semelhança, estes tipos de drogas podem “enganar” os receptores do cérebro, logrando ativar as células nervosas para que elas enviem mensagens anormais.
Outras drogas, como a cocaína ou a metanfetamina, podem fazer com que as células nervosas liberem quantidades exageradas dos neurotransmissores naturais, ou podem bloquear a reciclagem normal desses neurotransmissores do cérebro, necessário para o corte do sinal entre os neurônios. Disto resulta uma mensagem sumamente amplificada que por sua vez dificulta os padrões normais da comunicação.
Quase todas as drogas, direta ou indiretamente, ajem sobre o sistema de recompensa do cérebro, inundando-o com dopamina. A dopamina é um neurotransmissor que se encontra nas regiões do cérebro que regulam o movimento, as emoções, a motivação e as sensações prazerosas. Normalmente este sistema responde pelos comportamentos relacionados com a sobrevivência (comer, passar tempo com seres queridos, etc.), mas quando está super-estimulado pelas drogas, produz sensações de euforia. Esta reação inicia um padrão que “ensina” as pessoas a repetirem o comportamento de abuso de drogas.
Quando uma pessoa continua abusando de drogas, o cérebro adapta-se à contingência da inundação de dopamina, ou produzindo menor quantidade desse neurotransmissor, ou diminuindo o número de receptores de dopamina no circuito de recompensa. Como resultado, o impacto da dopamina sobre o circuito de recompensa fica diminuído, limitando o prazer que o usuário é capaz de usufruir, não só com as drogas, mas também das coisas que anteriormente lhe davam prazer. Esta diminuição obriga o drogadito a continuar abusando de drogas, com a intenção de que as sensações prazerosas voltem ao seu nível normal. Agora, entretanto, necessita consumir uma quantidade maior de droga a fim de elevar a função da dopamina ao seu nível inicial. Esse efeito se conhece como tolerância.
O abuso a longo prazo também provoca modificações em outros sistemas e circuitos do cérebro. O glutamato é um neurotransmissor que influi sobre o circuito de recompensa e a habilidade de aprendizado. Quando o abuso de drogas altera a concentração ótima de glutamato, o cérebro procura compensar esse desequilíbrio, podendo deteriorar as suas funções relacionadas com a cognição. As drogas de abuso facilitam a aprendizagem subconsciente (condicionada), fazendo com que o usuário sinta desejos incontroláveis do uso quando se depara com lugares ou pessoas associadas a ela, mesmo quando a droga, em si mesma, não esteja disponível. Estudos de imagens do cérebro de drogaditos mostram modificações em áreas do cérebro essenciais ao julgamento, à tomada de decisões, ao aprendizado, à memória e ao controle do comportamento. Em conjunto, essas alterações podem fazer com que o usuário torne-se um dependente de drogas, isto é, que as busque e as use compulsivamente, a pesar das consequências adversas de tal comportamento.
Por que algumas pessoas se tornam aditas e outras não?
Não há apenas um fator que determine que alguém se torne ou não um drogadito. O risco de tornar-se drogadito resulta da constituição biológica da pessoa, do seu ambiente social, da idade ou desenvolvimento em que se encontra. Quanto mais fatores de risco existam, maiores as chances de que o abuso se converta em dependência de drogas.
Por exemplo:
A chave está na prevenção
A drogadição é uma enfermidade que se pode prevenir. Os resultados de investigações propiciadas pelo NIDA demonstraram que os programas de prevenção que envolvem a família, a escola, a comunidade e os meios de comunicação, são eficazes para reduzir o abuso de drogas. Em muitos eventos e fatores culturais com potencialidade para reforçar a tendência ao abuso de drogas, os jovens podem reduzi-la se perceberem essa situação como prejudicial. Portanto, é necessário ajudar aos jovens e ao público em geral a compreender os riscos do abuso de drogas e continuar promovendo, através dos professores, pais e profissionais da saúde, a mensagem de que a drogadição pode ser prevenida se a pessoa se abstiver de começar a usar as drogas em primeira instância.