Associação Espaço Comunitário Comenius

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Apresentação

A ONG

Prêmio Itaú-Unicef 2007 - Selo 173

A Associação Espaço Comunitário Comenius - ECCO é uma entidade civil de natureza promocional, sem fins lucrativos. Foi fundada em 21/06/2003, com sede à rua Otávio de Moraes Lopes No 378, Município de São Paulo, Estado de São Paulo. Inscrição no CNPJ: 06004.136-0001-56.
Em Julho de 2.007 mudou-se para rua Guajaraúna No 157, Vila Antonio, no mesmo bairro do Rio Pequeno.
Em Abril de 2.009 mudou-se para rua Celso Lagar No 23, ao lado da Favela do Sapé.
A entidade tem por objetivo a prevenção universal, seletiva e indicada do abuso de substâncias psicoativas e a promoção da inclusão social da população de baixa renda da região do bairro do Rio Pequeno, Município de São Paulo.

Comenius 

Ian Amos Comenius é o pai da moderna pedagogia. Nascido no século 16 na região que hoje é a Tchecoslováquia, profundamente humano e democrático, criou métodos de ensino, escreveu e ilustrou livros, divulgando o seu trabalho em toda a Europa. Este trecho tirado de Pampaedia ilustra o seu pensamento e a afinidade com o  ideal de nossa Associação:

‘Nosso primeiro desejo é que todos os homens sejam educados plenamente, em sua plena humanidade, não apenas um indivíduo, não alguns poucos, nem mesmo muitos, mas todos os homens, reunidos e individualmente, jovens e velhos, ricos e pobres, de nascimento elevado e humilde – numa palavra, qualquer um cujo destino é ter nascido ser humano; de forma que afinal toda a espécie humana seja educada, homens de todas as idades, todas as condições, de ambos os sexos e de todas as nações.

Nosso segundo desejo é que todo homem seja educado integralmente, formado corretamente, não num objeto particular ou em alguns objetos ou mesmo em muitos, mas em tudo o que aperfeiçoa a espécie humana; para que ele seja capaz de saber a verdade e não seja iludido pelo que é falso; para amar o bem e não ser seduzido pelo mal; para fazer o que deve ser feito e não permitir o que deve ser evitado; para falar sabiamente sobre tudo, com qualquer um, quando necessário, e não ser estúpido em nenhum assunto e finalmente para lidar com as coisas, com os homens e com Deus, em todos os sentidos, racionalmente e não precipitadamente e assim  nunca se afastando da meta da felicidade.

E educado em todos os aspectos, não para pompa e exibição, mas para a verdade; quer dizer, para tornar os homens o mais possível a imagem de Deus, na qual foram criados: verdadeiramente racionais e sábios, verdadeiramente ativos e espirituais, verdadeiramente pios e  santos e assim verdadeiramente felizes e abençoados tanto aqui, quanto na eternidade.

Em suma, para iluminar todos os homens com a verdadeira sabedoria, para ordenarem suas vidas com verdadeiros governos e para uni-los a Deus com a verdadeira religião, de modo que ninguém se equivoque em sua missão neste mundo’ 

JAN AMOS COMENIUS (1592-1670)

Histórico

Em meados do ano 2000 a Dra Dirce de Assis Rudge, sensibilizada pelas dificuldades sentidas no atendimento de seus pacientes, iniciou a formação de grupos, juntando as pessoas para orientação em diabetes e hipertensão, na Unidade Básica de Saúde (UBS) Dr. Marcílio Malta Cardoso , no Distrito do Rio Pequeno, São Paulo, onde clinicava. Em seguida organizou grupos de alcoolistas e seus familiares, para orientação e tratamento. Depois de alguns meses, por conta das restrições de espaço e horários, partiu para outro local – a Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Brasil-Japão, contígua à UBS. Logo alguns voluntários começaram a aderir e além dos grupos iniciais,  formaram-se outros, para aulas de desenho e artesanato e também grupos com crianças da própria EMEF Brasil-Japão. O próximo passo foi alugar uma casa para o desenvolvimento daquelas atividades que em Junho de 2.003 formalizou-se com o nome de Associação Espaço Comunitário Comenius.  Funcionando com voluntários e apenas uma funcionária contratada, em três anos chegou a 20 atividades diferentes, parcerias com Associações vizinhas e protocolo com o Instituto de Psicologia da USP.
Dentre as atividades iniciais destacaram-se: alfabetização de adultos, terapia comunitária, qualidade de vida em grupo de terceira idade, terapia familiar, arte, artesanato, jogos educativos, musicalização, microbiologia com jogos (Projeto Micro-Todos), capoeira e matemática inclusiva.

Esse movimento foi apoiado por amigos, profissionais e pessoas não especializadas residentes na região, num trabalho que envolve as áreas de atenção social, atenção à saúde e à educação. Com  atendimento inicial a 20 crianças em idade escolar e em torno de 100 adultos, além de palestras em igrejas, escolas e associações, cursos, aulas, entrevistas em rádio e TV. 

A Terapia Comunitária começou a ser utilizada nos diversos grupos em 2003 e percebeu-se que era o modo ideal de lidar com a  clientela, formada de residentes na Favela do Sapé e entorno, haja visto uma maior freqüência, assiduidade e entusiasmo por parte dos pacientes, com melhora nítida dos vários segmentos atendidos. A técnica da terapia comunitária ajuda os participantes a saírem da solidão e da depressão, faz com que se percebam competentes, se sintam úteis e valiosos, trabalhando o empoderamento pessoal, melhorando a auto-estima e ajudando a iniciar a formação de vínculos, passo inicial para a formação de redes de solidariedade. O apoio mútuo favorece a formação de associações e o surgimento da esperança.

Em 2004 ofereceu o I Treinamento Básico em Dependência Química, para profissionais da região.

Em 2005 o projeto de implantação de uma sala de cinema: Cine Ecco Pipoca, foi financiado pelo Programa VAI da Secretaria Municipal de Cultura.

Em 2005, Dra. Dirce de Assis Rudge lançou "A Porta dos Fundos", livro de memórias, onde aborda Prêmio Doutor Cidadão da APM

dentre outras coisas, suas motivações, a situação dos pacientes e a criação da Associação.

Ainda em 2005 a Associação Comenius recebeu o Prêmio Doutor Cidadão, da Associação Paulista de Medicina, pelos trabalhos desenvolvidos.

Em 2006 novo projeto foi aprovado pelo Programa VAI da Secretaria da Cultura do Município: "Do Sapé ao Nordeste em Busca de Nossas Raízes". Um trabalho de resgate cultural para as crianças da Associação, com a formação de um grupo de dança e percussão de folguedos nordestinos.

Em 2006 participou da formação de terapeutas comunitários pela "Teia Paulistana" - pool de Polos formadores de terapeutas comunitários de São Paulo - pelo Convênio Mismec-Ce/Senad, fazendo a capacitação em dependência química dos formandos.
Em 2.006 a Dra. Dirce de Assis Rudge recebeu o título de Cidadã Paulistana da Câmara municipal de São Paulo, pelo trabalho desenvolvido no Rio Pequeno, projeto apresentado pelo Vereador António Donato. Em 2006 e 2007 realizou trabalho de formação de equipe com educadores do Educandário Dom Duarte, da Liga das Senhoras Católicas.

Em 2007 foi semifinalista do Prêmio Itau Unicef, com a proposta "Nossa História, Nossas Origens".

Em 2007 realizou o II Treinamento Básico em Dependência Química.


Diploma de Cidadã Paulistana

Durante o ano de 2.008 realizou o Curso de Capacitação em Dependência Química para profissionais da Secretaria da Saúde do Município de Várzea Paulista.

A equipe especializada apresenta trabalhos em congressos, seminários e eventos científicos nas áreas de dependência química, terapia familiar, terapia comunitária e terapia de grupo e faz palestras em associações, grupos anônimos, igrejas e escolas. Participa ainda de programa especializado de rádio: Programa Recuperação da Rede Boa Nova de Rádio; concede entrevistas em revistas, rádios e TVs, sempre na filosofia de divulgar conhecimentos sobre o tema alcoolismo e drogadição.

Tem como compromisso a constante atualização técnica deste site, desenvolvido e publicado pelo Dr. C. Eduardo T. Rudge, atual Presidente da Associação.

A Região

 O Distrito do Rio Pequeno, com mais de 110 mil habitantes, fica na Região do Butantã,  na cidade de São Paulo e  ao lado de grande riqueza de todo tipo de recurso, nele se incrusta um segmento de população de grande vulnerabilidade social, que se concentra na Favela Sapé/Boa Esperança. Esse setor é dos que mais sofrem com a combinação da dimensão da privação socioeconômica com a estrutura etária. Em dados do Censo de 2000 obtidos na Subprefeitura, a Favela do Sapé/Boa Esperança possuía então 5809 pessoas residentes e sua vulnerabilidade está marcada pelo nível de “Altíssima privação”, chamado de Grupo 8 – “é um grupo formado por 3,1% dos setores censitários do Município de São Paulo, que engloba 3,8% da população. Caracteriza-se por possuir os piores indicadores do município de São Paulo. Possui a maior concentração de crianças de 0 a 4 anos (13,7% da população), grande concentração de jovens de 15 a 19 anos (11,1% da população do grupo) e baixa idade média do responsável (38 anos). Seus indicadores de escolaridade são péssimos; apresenta a pior taxa de alfabetização entre os grupos, apenas 19,1% dos responsáveis tem ensino fundamental completo, entre os responsáveis do sexo feminino, 25,72% tem ensino fundamental. Também apresenta os piores indicadores de renda: 75,9% dos responsáveis por domicílio ganham até 3 salários mínimos”. São milhares de pessoas vivendo em condições sub-humanas, estressadas e comprometidas em sua saúde; presença de alcoolismo e/ou drogadição em torno de 79% das famílias atendidas em clínica geral, com variadas complicações associadas – violência doméstica, rupturas familiares, homicídios,  encarceramentos, somatizações diversas, gravidez precoce e desamparo de grande número de pessoas idosas e crianças. Graves complicações evitáveis de doenças crônicas por desinformação e falta de recursos, crianças abusadas, negligenciadas e trabalho infantil. Perda de vidas prematuras, condições de habitação sub-humanas em cubículos improvisados à beira de um córrego que funciona como esgoto a céu aberto. Falta de qualificação profissional  num enorme contingente de desempregados. São em sua maioria migrantes nordestinos oriundos de áreas rurais, agricultores desenraizados e sem referências culturais na grande cidade, perdidos e sem opções.. Crianças com baixo rendimento escolar, muitas vezes analfabetas até a terceira e quarta séries, sem atividades no horário alternativo das aulas, sem adultos que as orientem. Muitas vezes responsáveis pelos cuidados de irmãos menores, pedindo dinheiro nos cruzamentos de avenidas ou doações de casa em casa, catando lixo ou trabalhando a troco de alguns poucos reais, em variados tipos de tarefas inadequadas.  A proliferação de botequins ilícitos e a falta de uma prevenção e tratamento para alcoolismo e drogadição  expõe a sua população adulta, juvenil e mesmo infantil ao elevado risco de envolvimento nessas patologias. 
As famílias acometidas pelo alcoolismo ou drogadição desenvolvem mecanismos de sobrevivência, isolando-se e se acomodando em situações inaceitáveis. Vergonha, violência doméstica, solidão e depressão fazem com que essas pessoas se afastem do convívio social e não busquem ajuda enquanto não acontece uma crise grave com perdas significativas – morte de um dos membros, doenças graves, acidentes de graves proporções, homicídios, ameaça de um traficante ou prisão de um de seus membros.
Os idosos muitas vezes são abandonados, tendo muita dificuldade de sobrevivência. Muitas senhoras de 65 anos e mais trabalham em almguma atividade pelas quais recebem alguns trocados, muitas delas cuidando de crianças. Essas pessoas vivem em péssimas condições, se alimentam mal, não têm dinheiro para medicamentos que a UBS não forneça, sofrem com insegurança, violência e solidão. A maioria se isola em seu canto em depressão.

Algumas associações focadas em cuidados com crianças, igrejas que oferecem uma sopa aos sábados e várias ONGS têm procurado suprir as falhas no atendimento a essa população pelo poder público. A Associação Espaço Comunitário Comenius se soma a elas oferecendo opções de resgate de cidadania, facilitando o processo de crescimento e desenvolvimento pessoal e comunitário.

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