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AA’s first European experience and the spiritual experience of AA

CHRIS COOK
Durham University, Durham, UK.
Editorial - Addiction 2007,102, 846–847

Tradução resumida por Eduardo Rudge

A 1ª Experiência Européia de Alcoólicos Anônimos e a Experiência Espiritual de AA.

Editorial referente ao trabalho de Butler S., Jordan T. - “Alcoholics Anonymous in Ireland: AA’s first European experience”. (Addiction 2007; 102: 879–86) Assunto: Alcoólicos Anônimos na Irlanda a partir da sua introdução em 1946 e as dificuldades encontradas pela irmandade com as Instituições Religiosas e classe médica naquele país.

Os introdutores de AA na Irlanda mostraram-se cuidadosos quanto ao ambiente cultural, político, profissional, e das atitudes e crenças dentro das quais eles iriam trabalhar.Na época os problemas com a rivalidade sectária observados pelas provocações à autoridade da Igreja Católica Romana e o ganho de influências na doutrinação da teologia pastoral eram muito fortes, de certa forma atenuando o impacto religioso com a introdução do conceito de processo espiritual relacionado ao alcoolismo e suas raízes espirituais como identificadas por AA. Em contraste, as discussões sobre o conceito doença nos estabelecimentos médicos apresentaram-se acaloradas, havendo mesmo alguns grupos de profissionais que não admitiam sequer a menção de tal palavra – doença, em se tratando de Dependência Química!
É claro, entretanto, que um conceito espiritual, articulado com dependência química, contrariou profundamente tanto ao Catolicismo Romano quanto às Igrejas Reformistas. Espiritualidade é um conceito que tem tomado força nos últimos 30 anos e, por isso, não poderia ser discutido da mesma forma nos anos 1940 e no século 21. De qualquer forma, havia uma consciência de que a idéia adotada por AA batia contra o modelo do beber voluntário do movimento dos Pioneiros e também contra o modelo da referência espiritual na linguagem teológica da Igreja Católica Romana.
Afinal de contas, os 12 Passos de AA apóiam-se substancialmente em uma teologia cristã tradicional de dependência na graça de Deus, confissão de pecados e arrependimento, oração e meditação, porém, a mediação desses conceitos teológicos por parte de um movimento protestante (Oxford Group/Moral Rearmament) e a adoção de um léxico contendo frases como 'Poder Superior’, 'inventário moral', etc., ou ainda um Deus como nós O concebemos  - não importa como você entende por Deus, ou no que você acredita,  escolha por você mesmo - sem dúvida provocaram a suspeição por parte da Igreja Católica Romana.
Os fundadores de AA foram influenciados, entre outras coisas, pelo trabalho clássico de William James “As Variedades da Experiência Religiosa” . Também James não estava interessado em controvérsias religiosas ou doutrinárias, ele preocupava-se com a experiência pessoal, subjetiva.   
Nessa base, poder-se-ia discutir com os membros de AA e, afinal de contas, com qualquer outra pessoa, que alguém só pode ter um relacionamento com Deus quando O entenda, sendo impossível um relacionamento quando se não O entenda. Nesta linha de pensamento o AA é extremamente simples em relação à Religião Católica, que, num sentido oposto, diz:
-Deus é infinito e, portanto, cabalmente irreconhecível para as pessoas, que são finitas.  Haveria então um reconhecimento inconsciente, sendo que, para o consciente, a Igreja propõe o chamado “reconhecimento apofático”, isto é, com proposições negativas – aquilo que não é, em detrimento das proposições positivas – aquilo que é.
Para superar essas divergências, pelo menos alguns grupos cristãos procuraram alinhar os Doze Passos com a sua própria posição doutrinária, enquanto outros buscaram enfatizar a compatibilidade dos Doze Passos com a fé Cristã tradicional. Entretanto o AA, como Instituição, e de acordo com a sua 10ª Tradição, não emitiu qualquer opinião a respeito, como por ex. sobre a definição de espiritualidade. Mesmo assim, o AA vem se difundido com êxito (ao menos em paises não islâmicos) com a sua cultura ocidental pluralista, havendo-se tanto com membros de todas as tradições de fé como com membros destituídos de fé.

Por tudo isso fica o desafio de se examinar a natureza e a realidade da experiência espiritual como uma forma prática de conduzir as pessoas à recuperação do seu transtorno aditivo.

 

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